Transcrição do estudo inédito Panorama de Máquinas Agrícolas no Brasil (tratores, colheitadeiras e pulverizadores) — BIM³. Conteúdo dos slides: tópicos, achados e dados.
O grande desafio: a falta de dados
Enquanto o setor automotivo (on-road) desfruta de dados de emplacamento robustos, o universo das máquinas agrícolas opera sem registro obrigatório. Essa “opacidade informacional” impede planejamento, investimentos e inovações precisos, deixando todo o ecossistema no escuro. A iniciativa surgiu da demanda de empresas que enfrentavam a falta de dados confiáveis sobre esta frota essencial.
O ineditismo, vindo da persistência
O Panorama é uma iniciativa pioneira da BIM³, que se propôs a desvendar um segmento crítico do agronegócio, até então inexplorado com tal profundidade e rigor metodológico. Nosso compromisso é transformar a escassez de dados em inteligência acionável.
Desafios superados, dados confiáveis gerados:
- A pesquisa, inicialmente remota, tornou-se majoritariamente presencial, elevando custos e exigindo esforço logístico colossal.
- Superamos o “ceticismo de líderes” e a “resistência de produtores”, validando a metodologia em campo.
- Esta dedicação garante um estudo com “rigor técnico estatístico” e dados primários que são, de fato, inéditos e confiáveis.
Inteligência acionável: visão da frota brasileira
- Tamanho e idade da frota, distribuição por cultura, região e porte de propriedade.
- Satisfação com marcas e intenção de troca.
- Comportamento de compra, pós-venda e manutenção.
- Adoção de tecnologias e planejamento financeiro.
- Uma ferramenta estratégica para entender o presente e projetar o futuro do agronegócio com base em evidências.
Públicos de interesse
O Panorama não é apenas para fornecedores de autopeças. Ele atende a interesses vitais de grandes players e ilumina caminhos para decisões mais precisas:
- Montadoras
- Fornecedores de peças e equipamentos Tier 1 e 2
- Concessionárias
- Locadoras de maquinários
- Metalúrgicas
- Institutos de P&D
- Instituições de ensino
- Consultorias
- Meios de comunicação
- Financeiras e demais setores de serviço relacionados ao setor
- Associações de classe (sindicatos, cooperativas)
Metodologia e amostra
Pesquisa quantitativa descritiva por amostragem não probabilística por cotas. Culturas: Milho 60,3%, Soja 58,7%, Trigo 14%, Café 14%, Algodão 13%, Cana de açúcar 11,6%, Arroz 10,8%.
Decisores e gerações
- Os decisores de compra de máquinas agrícolas têm entre 40 e 60 anos de idade.
- A decisão é concentrada em +70% no proprietário ou familiar.
- Quanto maior a propriedade, mais a decisão se concentra no sexo masculino (88% × 12%).
- Café possui maior representatividade feminina na decisão de compra das máquinas: 18%.
Frota circulante (máquinas autopropelidas)
| Tipo | Frota 2025 | Projeção 2030 |
|---|---|---|
| Tratores | 1.353K | 1.478K |
| Colheitadeiras | 217K | 230K |
| Pulverizadores | 82K | 90K |
A frota circulante de máquinas no Brasil: mais de 1,6 milhão, com crescimento previsto de 6% para 2030.
Idade média por máquina e categoria
Idade média geral: 15 anos. Tratores: 17,98 anos; colheitadeira: 10,22 anos; pulverizador: 8,33 anos. Colheitadeiras e pulverizadores têm a frota mais jovem.
| Faixa de idade | Até 85cv | 85–199cv | Acima 200cv |
|---|---|---|---|
| Até 2 anos | 4,1 | 2,1 | 7,9 |
| De 2 a 5 anos | 4,8 | 5,6 | 11,3 |
| 6 a 10 anos | 7,8 | 7,2 | 11,1 |
| 11 a 20 anos | 49,0 | 48,1 | 44,7 |
| Acima de 20 anos | 34,3 | 37,0 | 25,0 |
| Faixa de idade | Até 200cv | 200–350cv | Acima 350cv |
|---|---|---|---|
| Até 2 anos | 22,5 | 16,9 | 27,5 |
| De 2 a 5 anos | 24,9 | 18,4 | 24,7 |
| 6 a 10 anos | 16,8 | 20,4 | 17,7 |
| 11 a 20 anos | 23,1 | 28,1 | 15,8 |
| Acima de 20 anos | 12,7 | 16,2 | 14,3 |
| Faixa de idade | Até 24m | 24–36m | Mais de 36m |
|---|---|---|---|
| Até 2 anos | 21,9 | 31,6 | 34,9 |
| De 2 a 5 anos | 24,6 | 25,8 | 28,2 |
| 6 a 10 anos | 19,1 | 18,1 | 18,1 |
| 11 a 20 anos | 20,3 | 16,3 | 10,6 |
| Acima de 20 anos | 14,1 | 8,2 | 8,2 |
Terceirização de máquinas
Quanto maior o valor agregado da máquina, maior a propensão do produtor a buscar diferentes soluções. Além da locação, empréstimos entre vizinhos e prestação de serviços se mostraram estratégias bastante utilizadas. O uso de colheitadeiras de terceiros é maior.
Penetração das marcas
- Consolidação da presença da John Deere e New Holland em tratores e colheitadeiras.
- Players nacionais consolidados em pulverizadores.
- A penetração das marcas se altera significativamente nas diferentes culturas e regiões pesquisadas.
| Posição | Tratores | Colheitadeiras | Pulverizadores |
|---|---|---|---|
| 1º | John Deere | John Deere | Jacto |
| 2º | New Holland | New Holland | John Deere |
| 3º | Massey | Massey | Stara |
Intenção de aquisição
Pretensão de compra nos próximos 2 anos por tipo de máquina (dados da pesquisa): trator 68,1%; colheitadeira 35,7%; pulverizador 23,2%; outros 4,3%; colhedora de cana 2,3%; plantadeira 1,53%; colhedora de algodão 1,02%. Aquisição de máquinas: aceleração na renovação ou expansão de colheitadeiras e pulverizadores.
Renovação de frota: motivadores
Motivadores (respostas múltiplas):
- Renovação de maquinário por tecnologia mais moderna — 47,44%
- Aumento da capacidade de produção — 42,31%
- Renovação de maquinário — máquina atual muito antiga — 20,26%
- Mudança de tipo de cultura e adequação do maquinário — 7,95%
- Melhoria de acesso ao crédito
- Não depender de terceiros
Formas de aquisição
Dificuldades: burocracia 54%; disponibilidade e acesso aos recursos 32%; recursos privados 10%; altas taxas de juros 4%; garantias 0,3%; não uso 0,1%.
Como se informam e onde compram
Os produtores mantêm a tradição de se informarem nas feiras regionais e através dos concessionários; contudo, a aquisição de uma nova máquina ainda ocorre majoritariamente através dos concessionários ou representantes, evidenciando a importância da capilaridade de rede.
Onde compram: concessionárias ou representantes regionais 69,9%; feiras agrícolas 32,7%; cooperativas 15,7%; diretamente com o fabricante 8,5%; não pretendo comprar 2,0%; de terceiros 1,5%.
Tecnologias atuais e desejadas
As tecnologias atualmente utilizadas são as mais comuns e pouco sofisticadas (GPS, piloto automático, transmissão de dados, direção hidráulica, telemetria, etc.). O produtor rural demonstrou desejo por mais tecnologia embarcada (agricultura de precisão, sensores inteligentes, I.A. para ajuste em tempo real, automação por tipo de terreno e cultura), embora exista carência de infraestrutura para 4G e 5G, que impede o uso de todo o potencial oferecido. Também demanda maior conforto e simplicidade no uso do equipamento.
Satisfação das marcas
John Deere revelou-se a campeã em satisfação, com o line-up completo (nota 9,38). Empresas com line-ups mais restritos também apresentaram boas performances, como Jacto (9,29), Stara e Yanmar. As notas avaliadas variaram de 5,87 a 9,38. As marcas foram avaliadas pelos agricultores que as possuem.
Manutenção e pós-venda
Grandes propriedades têm maior tendência a realizar a manutenção internamente e ações corretivas em concessionárias, enquanto pequenos proprietários recorrem a oficinas ou ao próprio pessoal interno.
| Tipo | Interna | Concessionária / marca | Oficina especializada |
|---|---|---|---|
| Preventiva | 67,99% | 29,96% | 19,09% |
| Corretiva | 60,4% | 50,7% | 32,3% |
Origem das peças
As peças vêm em mais de 40% de autopeças da região e em mais de 70% de concessionária ou representante. Probabilidade de sempre adquirir, por tipo: genuína, original e paralela.
| Origem | Genuína | Original | Paralela |
|---|---|---|---|
| Valores observados | 35–40% | 72–80% | 11–14% |