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White Paper · Janeiro de 2026

Programa MOVE: por que R$10 bilhões podem virar apenas 3.000 caminhões novos

O desenho do programa de renovação de frota é tecnicamente atrativo. A conversão prática esbarra em duas variáveis: contrapartida de desmonte e substituição de funding. A diferença entre os dois cenários é grande.

Caminhão e logística

Premissa inicial

Uso dos recursos será 33% autônomos e 67% empresas, onde parte disso pode ser substituição (troca de fonte de funding) e/ou pull-forward (antecipação do 2S para o 1S), o que explica o efeito líquido anual pequeno.

Essa separação é consistente com o desenho do programa: ele melhora condição/esteira/garantia, mas não elimina todos os gargalos.

Regras do MOVE impõem teto prático

Atratividade “objetiva”

  1. Taxas anuais máximas divulgadas pelo governo ficam na faixa de 13,3% a 14,9% a.a. (já incluindo custos e spread), com variação por risco do mutuário.
  2. Prazo até 60 meses com carência até 6 meses — melhora o timing de decisão de compra, principalmente para autônomos e pequenas transportadoras.
  3. Possibilidade de cobertura pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) em até 80% do valor financiado tende a elevar aprovação/limite.
13,3–14,9%
Taxa anual máxima (já com custos e spread)
60 meses
Prazo máximo, com até 6 meses de carência
80%
Cobertura pelo FGI do valor financiado
R$10 bi
Volume total alocado pelo programa

Leitura técnica

Taxa + carência + FGI reduzem payment shock e aumentam aprovação.

Contrapartida (desmonte) — incentiva, mas trava conversão

A regra oficial de contrapartida (procedimento de desmonte) exige veículo:

  • esteja em condições de rodagem,
  • tenha licenciamento regular 2024 ou posterior,
  • e emplacamento original superior a 20 anos.
  • BNDES explicita que há condições especiais para quem comprovar o encaminhamento para desmontagem do caminhão antigo (>20 anos) como contrapartida.

Leitura técnica

Isso cria um incentivo econômico real, mas gera fricções de conversão:

  • Precisa estar rodando e regular;
  • Exige coordenação com desmonte formal e documentação (custo de transação);

Quantificação

Autônomos

Fatos:

  • MOVE totaliza R$ 10 bi, com R$ 1 bi exclusivamente para autônomos e cooperados.
  • Ticket médio financiado: R$ 350–450 mil (mix típico: novo de entrada / seminovo).
  • Mandatório perfil de crédito para aprovar a carência/FGI;
  • Parte dos autônomos desiste por exigência/gestão da contrapartida;
  • Existência de “competição” com outras alternativas (consórcio/CDC/Linhas OEMs).

Empresas

Fatos:

  • Elegibilidade inclui pessoas jurídicas do TRC; prazo 60m/carência 6m; teto por beneficiário até R$ 50 mi; e taxas máximas na faixa citada.
  • Empresas frequentemente possuem alternativas competitivas (CDC/finame padrão, linha própria do OEM, capital de giro + compra à vista) — substituição é relevante.
  • A contrapartida (>20 anos, lic. 2024+) é mais difícil de operacionalizar em escala sem parceiro de desmonte/esteira pronta — e o ganho de taxa precisa compensar.
  • O funding total é grande (R$ 10 bi), premissa que uma pequena fração de transportadoras decide “migrar” para essa linha por conta do trade-off (taxa/carência/FGI vs compensação da contrapartida).
  • Boa parte será substituição de outra linha.

Resumo

Capacidade teórica = 10 bi / 0,5 mi = 20.000 operações contratadas

Operações contratadas = 20.000 × 15% = 3.000 vendas convertidas

Onde 15% é a taxa efetiva de conversão. Quanto maior a taxa de conversão, maior a quantidade. Quanto menor o ticket, maior a quantidade.

Lembrando que: R$ 1 bi exclusivamente para autônomos, com exigência de contrapartida; R$ 9 bi para empresas — migração de linha (possível) e necessidade de parceiro de desmonte.

Sensibilidade: vendas convertidas por ticket médio e taxa de conversão. Fonte: BIM³.
Ticket médio (R$) c = 10% c = 15% c = 20%
450.0002.2223.3334.444
500.0002.0003.0004.000
550.0001.8182.7273.636
600.0001.6672.5003.333