Premissa inicial
Uso dos recursos será 33% autônomos e 67% empresas, onde parte disso pode ser substituição (troca de fonte de funding) e/ou pull-forward (antecipação do 2S para o 1S), o que explica o efeito líquido anual pequeno.
Essa separação é consistente com o desenho do programa: ele melhora condição/esteira/garantia, mas não elimina todos os gargalos.
Regras do MOVE impõem teto prático
Atratividade “objetiva”
- Taxas anuais máximas divulgadas pelo governo ficam na faixa de 13,3% a 14,9% a.a. (já incluindo custos e spread), com variação por risco do mutuário.
- Prazo até 60 meses com carência até 6 meses — melhora o timing de decisão de compra, principalmente para autônomos e pequenas transportadoras.
- Possibilidade de cobertura pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) em até 80% do valor financiado tende a elevar aprovação/limite.
Leitura técnica
Taxa + carência + FGI reduzem payment shock e aumentam aprovação.
Contrapartida (desmonte) — incentiva, mas trava conversão
A regra oficial de contrapartida (procedimento de desmonte) exige veículo:
- esteja em condições de rodagem,
- tenha licenciamento regular 2024 ou posterior,
- e emplacamento original superior a 20 anos.
- BNDES explicita que há condições especiais para quem comprovar o encaminhamento para desmontagem do caminhão antigo (>20 anos) como contrapartida.
Leitura técnica
Isso cria um incentivo econômico real, mas gera fricções de conversão:
- Precisa estar rodando e regular;
- Exige coordenação com desmonte formal e documentação (custo de transação);
Quantificação
Autônomos
Fatos:
- MOVE totaliza R$ 10 bi, com R$ 1 bi exclusivamente para autônomos e cooperados.
- Ticket médio financiado: R$ 350–450 mil (mix típico: novo de entrada / seminovo).
- Mandatório perfil de crédito para aprovar a carência/FGI;
- Parte dos autônomos desiste por exigência/gestão da contrapartida;
- Existência de “competição” com outras alternativas (consórcio/CDC/Linhas OEMs).
Empresas
Fatos:
- Elegibilidade inclui pessoas jurídicas do TRC; prazo 60m/carência 6m; teto por beneficiário até R$ 50 mi; e taxas máximas na faixa citada.
- Empresas frequentemente possuem alternativas competitivas (CDC/finame padrão, linha própria do OEM, capital de giro + compra à vista) — substituição é relevante.
- A contrapartida (>20 anos, lic. 2024+) é mais difícil de operacionalizar em escala sem parceiro de desmonte/esteira pronta — e o ganho de taxa precisa compensar.
- O funding total é grande (R$ 10 bi), premissa que uma pequena fração de transportadoras decide “migrar” para essa linha por conta do trade-off (taxa/carência/FGI vs compensação da contrapartida).
- Boa parte será substituição de outra linha.
Resumo
Capacidade teórica = 10 bi / 0,5 mi = 20.000 operações contratadas
Operações contratadas = 20.000 × 15% = 3.000 vendas convertidas
Onde 15% é a taxa efetiva de conversão. Quanto maior a taxa de conversão, maior a quantidade. Quanto menor o ticket, maior a quantidade.
Lembrando que: R$ 1 bi exclusivamente para autônomos, com exigência de contrapartida; R$ 9 bi para empresas — migração de linha (possível) e necessidade de parceiro de desmonte.
| Ticket médio (R$) | c = 10% | c = 15% | c = 20% |
|---|---|---|---|
| 450.000 | 2.222 | 3.333 | 4.444 |
| 500.000 | 2.000 | 3.000 | 4.000 |
| 550.000 | 1.818 | 2.727 | 3.636 |
| 600.000 | 1.667 | 2.500 | 3.333 |